Contexto da Operação WI-FI em São Paulo
Na manhã do dia 1.º de junho de 2026, a Polícia Civil de São Paulo lançou a Operação WI-FI visando investigar suspeitas de irregularidades em uma licitação marcada pela Prefeitura. O valor total da licitação em questão atinge a cifra de R$ 108 milhões e foi conquistada pelo Instituto Conhecer Brasil (ICB), uma organização não governamental (ONG) sob a liderança de Karina Ferreira da Gama. Karina é também sócia da Go UP Entertainment Ltd, a produtora responsável pelo filme “Dark Horse”, que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Conexão entre a Produtora e o Instituto
O ICB firmou um contrato com a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia para a implementação, operação e manutenção de 5 mil pontos de acesso à internet Wi-Fi em áreas carentes de São Paulo. Esse projeto faz parte da iniciativa WiFi Livre SP. Entretanto, a investigação aponta que a ONG teria recebido, através de aditivos contratuais, um total de R$ 157,1 milhões, o que levanta suspeitas de fraude.
Valores Envolvidos e Suspeitas de Desvio
Autoridades afirmam que pelo menos R$ 26 milhões foram pagos sem que a prestação de serviços tivesse sido comprovada. A polícia está agora averiguando a possibilidade de execução fraudulenta do contrato e eventual desvio de recursos públicos. Além disso, há indícios de que o processo licitatório pode ter sido direcionado, favorecendo entidades sem experiência técnica suficiente no setor.

A Reação da Prefeitura de São Paulo
Em resposta às alegações, a Prefeitura de São Paulo emitiu uma nota enfatizando que “repudia veementemente quaisquer insinuações de desvio de recursos públicos”, afirmando que o contrato celebrado com o ICB foi conduzido dentro dos princípios da legalidade, transparência e economicidade. A administração destaca também que o programa de acesso à internet em áreas periféricas está funcionando normalmente.
Investigação do Ministério Público e Polícia Civil
A investigação iniciou-se após uma denúncia formal feita por Leonardo Carvalho Bastos, membro do conselho de ética do Partido dos Trabalhadores (PT) em Sapucaia do Sul, que solicitou a análise do Ministério Público. A apuração é conduzida pela 2.ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública e envolve a análise detalhada das transações financeiras e da execução dos serviços contratados.
Análise de Irregularidades no Chamamento Público
De acordo com a documentação investigada, foram detectadas 20 irregularidades no edital da licitação que poderiam justificar a suspensão do contrato. O Tribunal de Contas do Município (TCM) emitiu parecer alertando para a fragilidade dos critérios utilizados na seleção do ICB, que atuou principalmente em eventos culturais e artísticos, mas não possuía experiência anterior em telecomunicações.
Impacto da Denúncia e Relacionamentos Flagras
A denúncia trouxe à luz não apenas a possibilidade de fraude, mas também levantou questões sobre possíveis ligações financeiras entre recursos públicos e a produção do filme “Dark Horse”. As movimentações financeiras estão sob investigação, numa tentativa de esclarecer se houve alguma relação direta entre os repasses da Prefeitura e os investimentos feitos no longa-metragem.
Sobrepreço e Comparação de Custos
A análise econômica dos contratos revela uma discrepância significativa entre o custo anterior de implantação de pontos de Wi-Fi pela Prodam, que girava em torno de R$ 230, e os R$ 1.800,00 que o ICB estipulou por ponto instalado. Esse desvio nos valores sugere a possibilidade de sobrepreço, levando a uma lesão ao erário público.
Movimentações Financeiras Estranhas
A Polícia Civil está buscando acesso às movimentações financeiras reportadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a fim de rastrear o destino dos recursos geridos pelo ICB e pela Go UP. Dentre as investigações, examina-se a possibilidade de que parte dos recursos alocados ao ICB tenha sido redirecionada à Go UP durante a produção do filme.
Como a Produção do Filme se Envolve com o Caso
O filme “Dark Horse” recebeu um financiamento substancial do banqueiro Daniel Vorcaro, que, por sua vez, tem um histórico de fraudes. As comunicações entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro, mesmo após a prisão deste último, levantam novas interrogações sobre a utilização de recursos públicos na sétima arte, insinuando uma confusão entre as finanças do ICB e da produtora.

