Pavlova, medovik: as delícias feitas por uma confeiteira russa no RS

A confeitaria russa no RS ganhou espaço com o trabalho de Iullia Shuvalova, que produz sobremesas tradicionais em Sapucaia do Sul. A reportagem publicada em 19 de outubro de 2026 acompanha a trajetória da confeiteira.

Antes de se mudar para o Brasil, Iullia trabalhou por mais de 10 anos em restaurantes nos arredores de Moscou. Ela conheceu o atual marido pelo Facebook e veio morar no país há 10 anos.

A confeiteira, de 43 anos, construiu uma atividade na Região Metropolitana de Porto Alegre, onde vende doces e oferece aulas. O trabalho envolve clientes e alunos de diferentes partes do Brasil e também de outros países.

confeitaria russa no RS

A história reúne a adaptação de Iullia à vida no Rio Grande do Sul, a presença de receitas russas no cardápio local e a transmissão de técnicas de confeitaria. A reportagem também aborda as diferenças de paladar que ela percebeu ao chegar ao Brasil.

Da região de Moscou ao empreendimento em Sapucaia do Sul

Sem uma perspectiva profissional definida ao se estabelecer no Brasil, Iullia começou a vender tortas feitas em casa. A confeiteira relata que precisou iniciar o negócio em um país diferente daquele onde havia vivido e trabalhado.

Entre as dificuldades que ela descreve estavam não dominar o português e não conhecer o funcionamento local da confeitaria. Também precisou aprender sobre vendas, comunicação com clientes e onde encontrar os ingredientes de que necessitava.

As receitas russas passaram a ser preparadas e comercializadas em Porto Alegre e na Região Metropolitana. Segundo a reportagem, Iullia desenvolveu essa atividade artesanal enquanto se adaptava às condições de trabalho e ao mercado local.



Pavlova e medovik: receitas russas que conquistaram clientes gaúchos

A pavlova é a torta mais vendida de Iullia, que prepara cerca de 20 por semana. A sobremesa combina merengue, creme e recheio, numa apresentação que, segundo a confeiteira, se popularizou na Rússia.

A versão feita por ela tem formato de rocambole e difere da receita original na forma de servir. A origem da pavlova é motivo de divergência entre Nova Zelândia e Austrália, enquanto o nome homenageia a bailarina russa Anna Pavlova.

Outra opção do cardápio é o medovik, torta tradicional russa com mel e creme. Sua composição inclui dez camadas delicadas de pão de ló.

Iullia percebeu diferenças entre os doces russos e o paladar brasileiro, que descreve como mais açucarado. Ela acrescentou açúcar às receitas porque alguns clientes achavam que as tortas eram “fitness”; embora não use leite condensado em seus preparos, afirma gostar de brigadeiro e considera que há pouca variedade na confeitaria local.

Aulas de confeitaria e divulgação da cultura russa

Além de produzir doces no ateliê, Iullia dá aulas de confeitaria russa em formatos presencial e online. A procura pelas receitas começou quando clientes pediram que ela compartilhasse os modos de preparo.

As aulas também atraíram pessoas de diferentes lugares: a confeiteira relata ter alunas de todo o Brasil, da Europa e de Portugal. Pelo Instagram, ela recebeu ainda pedidos de encomenda de moradores do interior do Rio Grande do Sul.

Segundo Iullia, os cursos permitem que outras pessoas aprendam a fazer pavlovas e possam vendê-las. A confeiteira divide o trabalho com a maternidade e tem um filho brasileiro de dois anos.

Nos vídeos publicados nas redes sociais, ela costuma usar um kokoshnik, adereço tradicional russo que emoldura o rosto e remete à cultura de seu país. Embora sinta falta da Rússia, Iullia afirma gostar mais do Brasil e diz que já se considera brasileira.



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