A segurança pública no RS registrou quedas em indicadores criminais e chegou à segunda posição no Ranking de Competitividade dos Estados de 2026. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), desde 2023 o Estado vive os anos mais seguros de sua série histórica.
Os resultados integram uma série sobre a transição de governo, iniciada em 3 de novembro de 2026. A iniciativa acompanha os temas tratados nos encontros entre o governador Eduardo Leite e o governador eleito Luciano Zucco.
O balanço abrange ações realizadas no Rio Grande do Sul desde 2019, envolvendo a SSP, a Brigada Militar, a Polícia Civil, o Instituto-Geral de Perícias e a Polícia Penal. Também inclui políticas estaduais de prevenção à violência contra mulheres e mudanças no sistema prisional.

Além dos indicadores criminais, o material do governo estadual aborda investimentos em equipamentos e efetivos, o Programa RS Seguro, o combate a crimes cibernéticos e a ampliação de vagas prisionais. Em 2026, a população carcerária gaúcha ultrapassou 57 mil pessoas.
Quedas nos indicadores criminais e posição do RS no ranking nacional
Entre 2018 e 2026, o Rio Grande do Sul avançou seis posições no Ranking de Competitividade dos Estados, saindo do oitavo lugar para o segundo. De acordo com o levantamento de 2026, o resultado acompanha a redução dos principais indicadores criminais monitorados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), que chegaram ao menor patamar da série iniciada em 2010.
Nos crimes contra a vida, as vítimas de homicídio doloso passaram de 1.860, em 2019, para 1.037, em 2025, uma queda de 44%. No mesmo intervalo, os crimes violentos letais e intencionais recuaram 40%, de 2.158 para 1.299, e os latrocínios diminuíram 57%, de 71 para 30.
Os feminicídios caíram de 97 para 80 casos entre 2019 e 2025, redução de 17%. Nos crimes patrimoniais, os roubos de veículos diminuíram 84%, de 11.127 para 1.790, enquanto os roubos a pedestres recuaram 76%, de 53.393 para 12.573, conforme os dados estaduais.
Segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, em 2025 o Estado teve pelo segundo ano seguido a menor taxa de roubo de celulares do país: 21,7 casos por 100 mil habitantes, ante 27,9 no ano anterior. Também registrou a menor taxa nacional de furtos desses aparelhos, com 107 ocorrências por 100 mil habitantes; as médias brasileiras foram de 144,7 roubos e 226,6 furtos.
Investimentos, efetivos e tecnologia nas forças de segurança
O governo estadual informa que aplicou mais de R$ 2,48 bilhões em obras e na compra de equipamentos e viaturas ao longo de oito anos. Até o fim de 2026, a previsão apresentada é de mais R$ 475,9 milhões para a área, incluindo estruturas de delegacias, batalhões, quartéis e perícias.
Como parte da reposição programada de pessoal iniciada em 2019, Brigada Militar (BM), Instituto-Geral de Perícias (IGP), Corpo de Bombeiros Militar e Polícia Civil receberam 1.531 novos servidores. A frota das forças de segurança incorporou 5.106 viaturas, 173 embarcações e dez aeronaves, duas delas previstas para entrega até 2027; a Brigada Militar recebeu 3.347 viaturas.
Desde 2021, todos os novos veículos policiais incorporados passaram a ter proteção balística, e o governo informa que há pelo menos uma viatura semiblindada em cada um dos 497 municípios gaúchos. Entre as aquisições e tecnologias citadas estão câmeras corporais, equipamentos antidrones e veículos especiais, além da expansão da radiocomunicação digital, que recebeu investimento de R$ 112,9 milhões e deve alcançar 145 cidades até o fim de 2026.
RS Seguro, gestão por dados e investigação de crimes cibernéticos
Criado em 2019, o RS Seguro articula órgãos de diferentes áreas do governo, municípios e instituições do Sistema de Justiça Criminal. O programa orienta ações por integração, inteligência e investimento qualificado, com prioridade para territórios de maior vulnerabilidade socioeconômica e incidência de crimes violentos.
As iniciativas do programa se distribuem em quatro frentes: combate ao crime; políticas sociais, preventivas e transversais; qualificação do atendimento ao cidadão e valorização profissional; e sistema prisional. Em 2025, a Gestão Estatística em Segurança Pública (GESeg), plataforma que fornece dados atualizados em tempo real para orientar políticas e estratégias de prevenção e repressão, recebeu o Prêmio Excelência em Competitividade do Centro de Liderança Pública.
Para responder ao crescimento dos delitos digitais, a Polícia Civil criou, em 2025, o Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos. A unidade investiga golpes virtuais e delitos praticados com uso de inteligência artificial, enquanto a corporação também promove campanhas educativas sobre o tema.
Políticas estaduais de proteção às mulheres
Criada em 2025, a Secretaria da Mulher desenvolve ações de prevenção à violência e proteção das mulheres. Em 10 de março de 2026, o governo lançou o Programa Estadual de Proteção e Promoção dos Direitos das Mulheres, com investimento de R$ 71 milhões para fortalecer a rede de proteção, ampliar o acolhimento e qualificar políticas públicas no Estado.
O programa organiza as ações em quatro eixos: governança e articulação institucional; acolhimento e ampliação da estrutura de atendimento; capacitação de profissionais e promoção da autonomia; e enfrentamento da violência, com medidas de prevenção e proteção. Entre as iniciativas previstas estão 126 vagas de acolhimento para mulheres e filhos em situação de violência doméstica, familiar ou de gênero, distribuídas pelas nove regiões funcionais.
O cofinanciamento estadual intersetorial destina R$ 17,1 milhões às redes municipais de proteção e atendimento, com adesão de 491 municípios. Os recursos podem apoiar a estruturação de serviços, a aquisição de equipamentos e veículos, a contratação de serviços, a capacitação de equipes e campanhas preventivas; também estão previstas a ampliação dos horários das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher e do Programa de Monitoramento do Agressor.
Monitoramento de agressores e medidas contra o feminicídio
Implantado em 2023, o Programa de Monitoramento do Agressor utiliza tornozeleiras eletrônicas e celulares com GPS fornecidos às vítimas para acompanhar a localização em tempo real e evitar aproximações indevidas. Segundo o governo, cerca de 3,8 mil mulheres já foram atendidas e nenhuma delas sofreu feminicídio ou tentativa durante o período de acompanhamento informado; em outubro, 1.658 agressores estavam monitorados.
O Estado informou que está em andamento a contratação de 3 mil kits de tornozeleiras e celulares, ao custo de R$ 26 milhões. A rede de proteção também inclui a ampliação de delegacias da Mulher e de seus horários de atendimento, a criação de Salas das Margaridas e o aumento das equipes da Patrulha Maria da Penha.
O RS Seguro desenvolveu, em parceria com a London School of Economics and Political Science e a Procergs, um modelo preditivo de risco para violência doméstica integrado à GESeg. A ferramenta analisa 1.331 variáveis, incluindo registros policiais desde 2010 e dados prisionais, periciais e sociodemográficos, para classificar vítimas e agressores em cinco níveis de risco de nova agressão grave nos seis meses seguintes.
Com investimento de R$ 1,6 milhão, o Sistema de Proteção à Mulher reúne informações de diferentes serviços, históricos de atendimento e encaminhamentos em um ambiente integrado. O governo também instituiu no IGP o Núcleo de Perícias em Feminicídio, destinado a elaborar protocolos e padronizar procedimentos de análise, documentação e coleta de vestígios; entre as ações preventivas está ainda o Programa H – Masculinidades: Refletir para Transformar, com formação a distância de 30 horas e capacitações presenciais previstas para novembro e dezembro.
Obras e ampliação de vagas no sistema prisional
A requalificação da Cadeia Pública de Porto Alegre (CPPA), antigo Presídio Central, foi entregue em setembro de 2025, após investimento de R$ 140,9 milhões. O projeto substituiu os antigos pavilhões por nove módulos de vivência, com 1.884 vagas, incluindo 18 vagas em celas adaptadas para pessoas com deficiência.
Estavam em fase final de construção as penitenciárias estaduais de São Borja, Rio Grande II e III e Caxias do Sul II e III, além da Cadeia Pública de Passo Fundo. Juntas, essas unidades devem acrescentar 4.960 vagas, com obras avaliadas em R$ 801,9 milhões; a Cadeia Pública de Alegrete, com capacidade para 286 pessoas, começou a ser construída em maio de 2026 e tinha conclusão prevista para o segundo semestre de 2027.
Desde 2019, unidades inauguradas somaram 3.282 vagas, e requalificações e reformas acrescentaram outras 2.498, entre elas a CPPA e o Presídio Estadual Feminino de Rio Pardo. Também estavam em andamento ampliações que acrescentariam 600 vagas. O balanço estadual projetava que, ao fim de 2026, obras novas, requalificações e reformas totalizariam 11.626 vagas e R$ 1,4 bilhão em investimentos.
População carcerária e reforço da Polícia Penal
Em 2026, a população carcerária do Rio Grande do Sul ultrapassou 57 mil pessoas, distribuídas em 113 casas prisionais, o quarto maior número de unidades entre os Estados brasileiros. O governo aponta o controle da ocupação e políticas de redução da reincidência entre as prioridades do sistema.
Concluída em junho de 2026, a transferência para a Polícia Penal da gestão de unidades que ficaram sob responsabilidade da Brigada Militar por décadas alterou a administração dessas casas prisionais. Desde 2019, mais de 5.700 servidores foram nomeados para a Polícia Penal, segundo o balanço estadual.
Do concurso de 2022, foram chamados 3.851 profissionais: 2.822 policiais penais, 437 técnicos administrativos e 592 analistas. Em junho de 2026, a instituição realizou sua maior formatura, com 651 novos servidores; uma legislação sancionada em dezembro de 2025 consolidou as atribuições da categoria e ampliou sua autonomia administrativa e operacional.


